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A história do aeromodelista que constrói seus aviões com a balsa plantada no próprio quintal. Isaque da Silva (*)
Avião na pista! Primeiro vôo! O modelo mal subiu e embicou para o chão. Que decepção! Levei uma semana para concertar.
Acontece que sou muito determinado. Conhecia um aeromodelista de outra cidade e contei-lhe minha história. Mesmo sem mostrar-lhe o avião, ele rapidamente matou a charada: ailerons invertidos! Vamos começar tudo outra vez! Avião na pista! Motor ligado... Acelerando! Decolou como um pássaro! Que beleza! Peguei o rádio pela primeira vez, todo feliz da vida, mas algo aconteceu. Bobeira! O avião começou a descer e o instrutor demorou a pegar o rádio da minha mão. Outra lenha! Mas minha teimosia vai muito longe. Juntei os pedaços, tirei moldes e fiz meu primeiro avião com a madeira balsa de uma árvore que eu mesmo plantara. Ficou meio pesado, mas voou bem. Mas como é que uma árvore de madeira balsa foi parar no meu quintal? Aliás, não uma, mas diversas árvores. Eu construía um rancho na beira de rio, aqui na região de Novo Horizonte, SP, quando um amigo que trabalha na Cetesb deu-me algumas mudas de árvores. Uma delas era a tal balsa. Fiquei curioso. Já conhecia a madeira e plantei diversas mudas. Uma morreu. Esperei secar o pequeno tronco. Era mesmo pura balsa!
Cortei a primeira árvore com oito anos, mais ou menos. Uma árvore muito grande, com folhas enormes. A cor da madeira depende muito da região. Aqui, a terra é arenosa. Por isso, ela é branca. Agora, quando preciso de madeira para um aeromodelo, corto alguns galhos de boa espessura. A madeira é mais dura no tronco. Os galhos são mais macios e mais leves. Para não rachar, corto na Lua minguante e deixo secar na sombra. Um amigo deu-me uma dica, que ainda está em teste: cortar os galhos e deixar na água, sem casca, por alguns meses. Diz ele que, assim, a madeira fica mais macia para se trabalhar. Veremos. De outubro em diante começam a madurar os frutos, mas nesta região há muitos periquitos e eles consomem quase tudo. Cada fruto tem milhares de sementes que devem ser plantadas em poucos dias. Depois de seco o galho, deve-se cortá-lo a favor das fibras. Existem dois tipos de fibras: as trançadas e as longas. Procuro usar para chapas as peças com fibras trançadas; as de fibras longas ficam para as varetas, bordos de ataque etc. Hoje, meus aviões não ficam mais pesados. |
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