Empresa 
Cidade 

CONSTRUÇÃO
Meu pé de madeira balsa

A história do aeromodelista que constrói seus aviões com a balsa plantada no próprio quintal.

Isaque da Silva (*)
Novo Horizonte, SP

Tudo começou mais ou menos dez anos atrás quando ganhei de um amigo meu primeiro aeromodelo, um treinador Stick. Ele sabia da minha paixão por aviões. Aos poucos, comprei com muito sacrifício o equipamento necessário para começar a voar. Montei o kit e outro amigo se propôs a me ensinar a pilotar.

Avião na pista! Primeiro vôo! O modelo mal subiu e embicou para o chão. Que decepção! Levei uma semana para concertar.

Avião na pista! Segundo vôo! O amigo pergunta: “E aí Isaque? Tudo em ordem?” Sim, tudo em ordem. E outra decepção! Subiu e caiu! Consertei de novo... E caí outras seis vezes, mais ou menos.

Acontece que sou muito determinado. Conhecia um aeromodelista de outra cidade e contei-lhe minha história. Mesmo sem mostrar-lhe o avião, ele rapidamente matou a charada: ailerons invertidos! Vamos começar tudo outra vez!

Avião na pista! Motor ligado... Acelerando! Decolou como um pássaro! Que beleza! Peguei o rádio pela primeira vez, todo feliz da vida, mas algo aconteceu. Bobeira! O avião começou a descer e o instrutor demorou a pegar o rádio da minha mão. Outra lenha! Mas minha teimosia vai muito longe. Juntei os pedaços, tirei moldes e fiz meu primeiro avião com a madeira balsa de uma árvore que eu mesmo plantara. Ficou meio pesado, mas voou bem.

Mas como é que uma árvore de madeira balsa foi parar no meu quintal? Aliás, não uma, mas diversas árvores.

Eu construía um rancho na beira de rio, aqui na região de Novo Horizonte, SP, quando um amigo que trabalha na Cetesb deu-me algumas mudas de árvores. Uma delas era a tal balsa. Fiquei curioso. Já conhecia a madeira e plantei diversas mudas. Uma morreu. Esperei secar o pequeno tronco. Era mesmo pura balsa!

Resistência e leveza – Esta seção de madeira balsa mostra os grandes gomos que dão ao material sua excelente taxa de resistência em relação ao peso. A árvore leva de 10 a 12 anos para alcançar o tamanho ideal para o corte. Além da baixa densidade, a balsa absorve muito bem choques e vibrações e pode ser facilmente cortada, desbastada, esculpida e colada. Nos anos 20 do século passado, esse foi o material perfeito para ensaios aerodinâmicos e de design.

 

(*) Isaque da Silva tem 47 anos. É cabeleireiro e apaixonado pela construção de aviões. Sua preferência é pelos acrobáticos, como o Extra 300.
E-mail: izack_silvas@hotmail.com

Cortei a primeira árvore com oito anos, mais ou menos. Uma árvore muito grande, com folhas enormes. A cor da madeira depende muito da região. Aqui, a terra é arenosa. Por isso, ela é branca.

Agora, quando preciso de madeira para um aeromodelo, corto alguns galhos de boa espessura. A madeira é mais dura no tronco. Os galhos são mais macios e mais leves. Para não rachar, corto na Lua minguante e deixo secar na sombra.

Um amigo deu-me uma dica, que ainda está em teste: cortar os galhos e deixar na água, sem casca, por alguns meses. Diz ele que, assim, a madeira fica mais macia para se trabalhar. Veremos.

De outubro em diante começam a madurar os frutos, mas nesta região há muitos periquitos e eles consomem quase tudo. Cada fruto tem milhares de sementes que devem ser plantadas em poucos dias.

Depois de seco o galho, deve-se cortá-lo a favor das fibras. Existem dois tipos de fibras: as trançadas e as longas. Procuro usar para chapas as peças com fibras trançadas; as de fibras longas ficam para as varetas, bordos de ataque etc. Hoje, meus aviões não ficam mais pesados.

Página inicial
Clique e conheça os livros!
Clique e conheça os livros!
© 1993-2008 Vento Solar Editora Ltda.
Nenhuma parte pode ser reproduzida ou arquivada em qualquer sistema de exposição ou consulta,
seja para uso público ou privado, sem autorização por escrito.
Início da página