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PLANTA
Fuji
FA 200 Aerosubaru
Avião
japonês viaja no tempo e pousa na planta de Hobbylink para
deliciar quem deseja construir um modelo bonito, bom voador
e diferente.
Álvaro
Caropreso
O
avião estava pendurado na parede, bem na entrada da Casa Aerobrás.
Bati o olho e gostei. É o que eu chamo de aeromodelo com cara
de aeromodelo. Faz meu tipo: Escala, ma non tropo. Asa
baixa, sem afilamento, perfil simétrico, trem de pouso triciclo,
estruturas da fuselagem, da asa e do grupo de cauda totalmente
construídas com madeira. Da porta da loja dava para ouvir o avião
murmurar: "Me compra! Me compra! Eu vôo com qualquer motor
4O a 60 instalado de pé, sem grandes malabarismos!"
O
bigode do veterano Fernando esticou-se com um sorriso atrás do
balcão onde trabalha desde o tempo em que a "Turma do Sete" era
o seriado de maior Ibope entre os pirralhos que sintonizavam
a TV Record, canal 7. Aliás, Fernando não é nome. É o
apelido de Antônio Fernandes porque ele era parecido com o personagem
Fernando da "Turma do Sete". Quem está perto dos 50
anos e morava em São Paulo quando criança deve lembrar-se. Pois,
então, Fernando sorriu. "Já vi que você foi com a cara do
avião", disse.
Ele
me conhece! Perguntei se era um novo lançamento da Aerobrás. "Não!" O
kit viera do Japão há décadas e estava perdido em algum canto
do estoque. "Abri a caixa, vi que estava perfeito e mandei
montar para por à venda no balcão", explicou Fernando, já se
oferecendo a mostrar a enorme planta original, em cópia cianográfica. "Isso
dá samba!", pensei. "Vai ficar uma beleza editada por
Hobbylink."
O
desenho original era do tipo "resolva tudo por sua própria
conta". Trazia poucos detalhes além das três vistas do avião,
do gabarito do perfil das nervuras e dos esboços de algumas peças.
Além disso, o projeto teria de ser totalmente adaptado aos materiais
e acessórios da atualidade. Havia um manual, provavelmente muito
bom, mas escrito em Japonês. Fernando cantava as virtudes daquela
raridade enquanto eu matusquelava uma solução para publicar uma
planta do Fuji 200 adaptado aos materiais hoje disponíveis no
mercado e construído de acordo com os usos e costumes atuais.
Para isso, mais uma vez, as forças do Bem tocaram o apito no
Quartel General dos super-heróis do hobby para convocar o Capitão
Tinta Nanquim, identidade secreta do desenhista Ivan Plavetz.
Ivan
examinou os meandros do modelo exposto na Aerobrás e fez um estudo
profundo da planta original. O resultado está aí. O Fuji 200
Aero-Subaru transpôs as barreiras do tempo completamente redesenhado,
com diversos detalhes importantes para uma exata compreensão
do que deve ser feito e como. E com muitas dicas e soluções de
construção.
Que
avião é esse? – O
Fuji 200 full scale foi um dos primeiros aviões totalmente
construídos no Japão depois da Segunda Guerra, fabricado nos
anos 60 pela Fuji Industries Ltd. Era uma aeronave civil com
quatro assentos, cerca de 10 metros de envergadura e equipada
com um motor Lycoming de 160 HP. O kit do aeromodelo foi projetado
pelo famoso piloto Fuji Arigaya, em uma redução semi-escala
na proporção 1/7.
O
perfil de aerofólio da asa é do tipo laminar, essencialmente
simétrico, porém ligeiramente côncavo nas proximidades do bordo
de fuga. Teoricamente, esse perfil não induz a tendência de o
avião levantar o nariz à medida que aumenta sua velocidade e
proporciona boa penetração aerodinâmica. Além disso, é claro,
permite o vôo de dorso com naturalidade. Também teoricamente,
quando o modelo voa em baixa velocidade e grande ângulo de ataque
(nariz empinado), a concavidade do perfil no intradorso (o lado
de baixo da asa, neste caso, seja com o avião em vôo de dorso
ou em atitude normal) gera uma força de sustentação que compensa
em parte aquela que se perde em razão dessa atitude e da baixa
velocidade. Em conseqüência, a tendência de estol é reduzida
e o Fuji 200 não tem motivos para reclamar do vôo acrobático,
desde que você não se meta a fazer torque-rolls.
Na
planta de Hobbylink foi mantida, para deleite dos que gostam
de construir à moda antiga, a opção original de acionamento dos
ailerons (com um único servo comandando dois balancins posicionados
mais ou menos na metade de cada painel da asa). Porém, o controle
dos ailerons pode ser feito como se vê hoje na maioria dos aeromodelos
esportivos: um servo no centro da asa com duas hastes de comando
diretamente ligadas nas alavancas dessas superfícies móveis.
Basta dar uma olhada em qualquer treinador para saber como instalar
essa configuração "moderna".
O
tanque de combustível sugerido na planta é de 8 onças (+/- 225
cc), mas isso vale se o motor escolhido for um 40-2T. Para motores
51-2T ou 60-2T, instale um tanque de 10 ou 12 onças. Há bastante
espaço atrás da parede de fogo, de modo que a escolha do tamanho
do tanque não vai gerar dores de cabeça para acomodá-Io a bordo.
A
escolha do motor, no entanto, deve levar em conta o peso que
se pretende dar ao modelo. Para motores 40 a 46, é importante
uma construção muito leve, com economia de cola, porém, com balsa
de excelente qualidade. O grupo de cauda deve ser feito tal como
está no desenho, com o estabilizador horizontal composto por
uma estrutura vazada, entelado com plástico termoadesivo, vinil
ou papel e dope. Aliás, no avião inteiro o plástico termoadesivo
permite um acabamento mais leve do que a pintura. Se o motor
for um 51 ou 60, o estabilizador pode ser inteiriço, feito com
chapa de balsa de 6 mm (1/4 de pol.), e não haverá restrições
quanto ao método de acabamento.
O único
pepino não resolvido pela planta de Hobbylink está na confecção
do canopy, originalmente de plástico transparente moldado a vácuo.
Isso, entretanto, não é um problema, mas sim um desafio saboroso.
Há alguns modelos no mercado que usam canopies parecidos com
o do Fuji 200. Com um soprador de ar quente (heat gun)
você pode distorcer um canopy e dar-lhe forma semelhante à do
usado neste avião. De outro modo, os construtores profissionais
que dominam a técnica da moldagem a vácuo podem aproveitar a
oportunidade para ter mais uma fonte de renda: Que tal produzir
canopies para o Fuji 200 e colocá-Ios à disposição do mercado?
Assim aconteceu com o capô do AT-5 Californian, outra planta
de Hobbylink que faz muito sucesso. Algumas oficinas e lojas
produzem até hoje o capô do AT-5 moldado com fibra de vidro ou
plástico ABS.
O
Fuji 200 é uma excelente pedida! Que
tal curtir a planta? |