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Um avião perfeito para a nova onda do aeromodelismo elétrico e para quem adora construir! Tom Herr (*) Um furacão judiava a costa leste dos EUA com ventos de mais de 130km/h quando terminei de construir o primeiro protótipo do Starlite. É claro, nem aviões em escala cheia se atreviam a sair do chão e tive de esperar dias e dias para estrear este modelo projetado para voar com brisa leve em pequenas áreas, como pátios de estacionamento, campos de futebol, praças ou parques sem colocar em risco pessoas e coisas no entorno.
Com cara de treinador convencional, o Starlite usa três canais de rádio (motor, leme e profundor) e sua construção requer materiais e técnicas tradicionais. O segredo está na cuidadosa seleção das madeiras e na combinação eficiente de motor, hélice e dispositivos de radiocontrole (RC). O protótipo usa um receptor Sky Hooks & Riging RX72-HYB, do tamanho de um selo postal, com apenas quatro gramas e dotado de controle de velocidade e função BEC (de Battery Eliminator Circuit – usa o mesmo pack de baterias para o motor e para o sistema de RC). Os microsservos Hitec HS-50 Feather foram escolhidos por serem pequenos, leves e de grande precisão. O motor é um WES-Technik 5-2.4 1A com caixa de redução de 8,3/1 girando uma hélice 9 X 5 de fibra de carbono. Você pode, entretanto, escolher outras combinações dentre a grande variedade de equipamentos existentes no mercado. (O modelo do editor de Hobbylink, Álvaro Caropreso, foi equipado com um flight pack GWS. Veja o quadro.) Finalmente o furacão se acalmou. Como eu não tinha um recarregador próprio para baterias de níquel-cádmio (NiCd), decidi fazer os primeiros voos com um pack de três células de lítio de 3V (9V no total) e 750mAh, tipo CR2, não recarregáveis. O estacionamento da minha empresa em Titusville, na Flórida, estava deserto naquela manhã quando avancei o stick do acelerador e o Starlite decolou pela primeira vez. Subindo rapidamente, logo ele estava acima das luminárias dos postes e da folhagem das palmeiras, espantando meu temor inicial de que poderia não ter potência para voar com firmeza. Uma sutil trimagem nos comandos bastou para manter o avião em voo nivelado com pouco menos de meia potência do motor. Passei a desenhar trajetórias em 8 em uma área de 45 metros de largura por 120 metros de comprimento. Os controles reagiam bem.
Absorto pelo voo gostoso e respondendo a perguntas dos curiosos que começavam a chegar para o trabalho nem percebi o tempo passar. Lá pelas tantas, olhei para o cronômetro e tomei um susto: o avião estava no ar há 20 minutos! Havia ainda carga suficiente para subidas com plena potência e voo nivelado com meio motor, de modo que decidi continuar para saber quanto tempo o avião se aguentaria voando. Só pensei em pousar quando o cronômetro apitou uma hora! O estacionamento agora estava cheio de carros e o Sol se desgarrara do horizonte. Soprava uma leve brisa do mar e, por isso, mantive o Starlite voando pouco acima da altura dos telhados para evitar turbulências. Decidi trazer o avião de volta quando a brisa apertou, apesar de ainda ter carga para plena potência e os controles continuarem respondendo com precisão. Coloquei o avião em uma rampa de pouso no meio das fileiras de automóveis e, com pitadas de potência no motor, o Starlite tocou no chão exatamente onde eu queria e não correu mais do que um metro. Olhei para o cronômetro: Uma hora e 25 minutos de voo! Foi o mais longo voo inaugural de toda minha vida e o modelo se comportou melhor do que o previsto! Havia carga para segurar o motor em máxima rotação, mas o bom senso mandava reprimir a tentação de decolar de novo, pois o pack do transmissor poderia estar no limite. Fiz outro teste no dia seguinte, desta vez decolando mais cedo para evitar a brisa forte no final do voo. O Starlite ficou no ar uma hora e 47 minutos! Um pack de baterias de lítio de alta capacidade no transmissor provavelmente permitiria voar três horas ou mais sem parar. Nos dias seguintes testei o avião com packs comuns de níquel-cádmio a bordo. Construção – O mais importante é a seleção de madeiras leves da melhor qualidade para assegurar o peso entre 100 e 113 gramas. A cola mais adequada é a do tipo cement (a tradicional "cola-tudo"). As colas de cianoacrilato (CA) não devem ser usadas de modo generalizado, pois adicionam muito peso e deixam as peças pequenas difíceis de serem lixadas. Esse tipo de cola pode ser usado para fixar o trem de pouso, as dobradiças do profundor e do leme e suas alavancas de comando. Considere que este é um avião leve. Sua natureza não impõe grandes esforços estruturais e aerodinâmicos. O leme e o profundor, por exemplo, trabalham com a suavidade de uma borboleta! Portanto, como regra geral, primeiro pense em economizar peso; depois, tome a melhor decisão do ponto de vista estrutural e não abuse da cola. As superfícies da cauda são feitas de varetas de balsa leve de 3/32''. Se você reparar nas fotos verá que a cauda do protótipo foi construída de modo um pouco diferente da planta. Siga a planta! Somente depois de entelar o avião cole as alavancas de comando feitas de compensado nas ranhuras do leme e do profundor, assim como as fitas que servirão como dobradiças. Estas podem ser de tecido de náilon ou do tipo autoadesivo que se encontra nas lojas de modelismo. Escolha o tipo mais leve.
A asa é construída em dois painéis conforme o esquema tradicional: Coloque a planta sobre uma tábua ou mesa de madeira bem plana, proteja-a com papel impermeável e comece fixando com alfinetes a longarina principal inferior e o bordo de fuga inferior. Depois, fixe a nervura da ponta da asa, a segunda nervura e a chapa A6 que serve de gabarito para o diedro. Posicione a primeira nervura encostada em A6 e cole. Vá em frente colando as demais nervuras e longarinas. Depois de prontos, junte e cole os dois painéis, conferindo o diedro indicado na planta. Em seguida, faça as ranhuras nas nervuras centrais onde serão colados os dois reforços do diedro (A7). A fuselagem é do tipo "caixa", com laterais semelhantes (F1), porém uma para o lado direito, outra para o lado esquerdo. Assim, preste atenção na hora de colar os reforços F2, F3 e F10, bem como as peças de apoio para o montante do motor (F4 e os triângulos de reforço). Monte as quatro cavernas (F6, F7, F8 e F9). Cole em uma das laterais a caverna F6 e a peça F5. Assegure o ângulo de 90 graus entre estas peças e a lateral. Depois, cole a outra lateral, junte as duas extremidades da cauda e complete colando as demais cavernas. Finalmente, feche a cobertura e o fundo com chapas de balsa de 1/32" com os veios na perpendicular da fuselagem. O Starlite pode usar inúmeras combinações de motor e hélice. Por isso, o projeto propõe um montante removível para facilitar as trocas de motor. Estude bem esse detalhe na planta. Note que o motor é fixado em uma chapa de compensado de 1/32" e esta, por sua vez, se encaixa sob pressão na ranhuras das peças de reforço F4. Não é preciso usar cola entre a base do motor e as peças F4 se o encaixe ficar firme. Porém, na dúvida, basta um pingo de cada lado (lembre-se do peso!). Acabamento – Todo o avião pode ser revestido com papel japonês e duas demãos de dope diluído em thinner, como nos velhos bons tempos do aeromodelismo. Nada contra se você conhecer e souber aplicar outro tipo de revestimento, desde que seja tão ou mais leve do que o papel japonês com dope. As superfícies da cauda devem ser enteladas separadamente antes de serem coladas no avião. As rodas são laminadas com chapas de balsa de 1/16" (T1 e T2) e compensado leve (T3) de 1/32". Preste atenção nos veios da madeira ao recortar e colar estas peças. Não é necessário aplicar nenhum tipo de reforço nas rodas, pois o peso de cada uma delas não pode passar de 1 grama (é isso mesmo!).
Sistema de RC – Não são necessários parafusos para fixar os servos em nenhuma bandeja especial. Eles são encaixados sob leve pressão nas cavidades de um bloco de espuma de Isopor® colado no fundo da fuselagem. Aproveite a embalagem do rádio para recortar esse bloco. Posicione os servos e o pack de baterias de maneira que o centro de gravidade (CG) fique no lugar indicado na planta. As hastes de comando devem ser, de preferência, de tubos de fibra de carbono de 0,05" de diâmetro (+/- 1 mm) em cujas extremidades são conectados os arames de 1/32" que se ligam nos braços dos servos e nas alavancas de controle das superfícies da cauda. Nada impede que você use varetas de balsa dura para fazer as hastes. Veja na planta um esquema de segurança para evitar que os arames se soltem dos controles. Uma grande vantagem do motor elétrico é a quase total ausência de vibração. Assim, o receptor não exige a proteção de espuma de borracha normalmente usada em modelos com motor a explosão. A própria fiação de bordo é suficiente para manter o receptor no lugar. O pack de baterias pode ser embrulhado em um pedaço de papel-toalha para se apoiar nas laterais da fuselagem. Os tubos de suporte dos elásticos de fixação da asa podem ser de alumínio ou de fibra de carbono, iguais aos das hastes de comando. Antes de fazer o primeiro voo, confira o CG e regule a deflexão do leme em cerca de 1,5 cm para cada lado e a do profundor em cerca de 1 cm para cima e para baixo. Mesmo sem comando de direção na bequilha traseira (apenas um arame fino faz esse papel) o Starlite se mantém firme na corrida para a decolagem, o que não passa dos 3 metros. O Starlite é muito estável e logo você vai sentir-se confortável para manobrar em um espaço aéreo bem pequeno. (*) Tom Herr é projetista da Herr Engineering, EUA.
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